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Trabalhadores do campo estão entre os mais vulneráveis ao coronavírus nos EUA, diz associação

Por Redação em 01/04/2020 às 12:29:23


Camponeses relatam que não estão recebendo informações sobre a Covid-19. Como muitos não têm documentos legais, acesso aos serviços de saúde é difícil Camponeses podem ser mais vulneráveis à Covid-19 pela falta de informações sobre a doença

Fabio Rodrigues/G1

Dormitórios superlotados, trabalho em conjunto, sem máscaras, ou luvas: embora os agricultores sejam considerados essenciais, uma vez que cabe a eles colher as culturas que alimentam os Estados Unidos, as condições em que vivem e trabalham os tornam muito vulneráveis ao coronavírus.

Segundo ativistas, muitos não receberam informações sobre o vírus, nem adaptaram seu trabalho a protocolos de distanciamento social, muito menos receberam equipamentos de proteção.

Em uma pesquisa feita pela UFW nas redes sociais, 90% dos 277 trabalhadores rurais que responderam relataram que ainda não receberam qualquer informação sobre o vírus.

Outros não têm como cuidar dos filhos. Com as aulas suspensas pela pandemia e diante do medo de perderem o emprego por falta, mesmo em caso de emergência, deixam as crianças sozinhas em casa.

"Acho que somos os mais vulneráveis, os menos vistos" na pandemia, lamentou o agricultor Juan Guerrero, em entrevista ao canal Univision.

Como muitos não têm documentos legais, o acesso aos serviços de saúde é difícil, o medo da polícia migratória permanece, sem mencionar a impossibilidade de acesso ao seguro-desemprego, ou aos benefícios de um plano de ajuda recentemente anunciado pelo presidente Donald Trump.

"A realidade deles é que, se não trabalham, não recebem e, se não recebem, não têm como alimentar a família e pagar o aluguel", disse à AFP Erik Nicholson, vice-presidente da União dos Camponeses da América (UFW), o maior sindicato de trabalhadores agrícolas.

Cerca de 2,4 milhões de pessoas trabalham no campo nos EUA, o país com mais casos da Covid-19 no mundo. Assim como médicos e enfermeiros, policiais, bombeiros e funcionários de supermercados, esses trabalhadores não podem parar durante esta crise, que já forçou 75% da população a se confinar em casa.

"É comum que trabalhem mesmo com febre, tosse... ou um dos sintomas da Covid-19", relatou Nicholson.

'Os mais vulneráveis'

A agricultura representa um enorme motor da economia norte-americana, gerando mais de 5% do PIB em 2017.

Steve Lyle, porta-voz do Departamento de Agricultura da Califórnia disse à AFP que "os trabalhadores agrícolas são uma parte fundamental" da cadeia de alimentos.

Segundo ele, "os produtores de alimentos se concentraram em melhorar as medidas de segurança dos trabalhadores desde o início desta crise" e introduziram "o distanciamento social nos campos e nas linhas de produção".

Algumas fazendas, como a de Ellen Brokaw, já reestruturaram sua operação.

"Nosso objetivo é manter nossos trabalhadores seguros e mantê-los trabalhando, a menos que estejam doentes, ou precisem estar em casa para cuidar de crianças, ou porque alguém está doente", declarou, em entrevista ao jornal "VC Star".

O professor e diretor do Instituto de Pesquisa Agrícola da Universidade Estadual da Califórnia em Pomona, David Still, adverte que um único paciente pode comprometer a cadeia de alimentos.

"Se você os coloca em um ônibus (...) e alguém está infectado, sua força de trabalho acabou", disse ele à AFP.

"E, se 5, 10, 20, ou 30% dos trabalhadores não aparecerem para trabalhar, será um grande problema", completou.

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Fonte: G1

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