Grandes frigoríficos prometem carne com desmatamento zero na Amazônia até 2025 com a criação de 'cadastro positivo da pecuária'

Por Redação em 23/09/2020 às 15:00:23

Iniciativas anunciadas recentemente por JBS e Marfrig pretendem acabar com um dos principais problemas que relacionam a pecu√°ria ao desmatamento ilegal: a falta de controle dos fornecedores indiretos. Fazenda de cria√ß√£o de gado na Amazônia

Mauro Lúcio Costa/Arquivo pessoal

A JBS, líder mundial na produ√ß√£o de carnes, anunciou nesta quarta-feira (23) iniciativas para combater o desmatamento, especialmente na Amazônia. Em julho, a Marfrig, outro grande frigorífico brasileiro, também anunciou medidas neste sentido.

As iniciativas surgem em um contexto em que o desmatamento na Amazônia e os incêndios no Pantanal colocam o Brasil novamente como alvo de questionamentos internacionais por conta de sua política ambiental.

Entre os anúncios da JBS desta quarta, est√£o a cria√ß√£o de um fundo para financiar projetos sustent√°veis na regi√£o e o mapeamento de toda a cadeia de fornecedores da companhia.

Esta última iniciativa pretende atacar um dos pontos que mais associam a pecu√°ria ao desmatamento ilegal, que s√£o os fornecedores indiretos.

O motivo é que existem algumas triangula√ß√Ķes, j√° apontadas pelo Ministério Público, entre pecuaristas irregulares, que vendem animais para produtores rurais que est√£o em dia com a lei, para que eles possam comercializar o gado com o frigorífico.

Essa brecha acaba mantendo na atividade criadores que podem ter cometido crimes ambientais ou ter utilizado de m√£o de obra an√°loga à escravid√£o.

Até o momento, as empresas costumam monitorar apenas seus fornecedores prim√°rios, ou seja, quem vende diretamente para a companhia. Nesse acompanhamento, a JBS afirma que mais de 9 mil propriedades rurais tiveram suas vendas bloqueadas por irregularidades.

A partir deste ano, a empresa vai criar a Plataforma Verde JBS, que passar√° a monitorar também todos os "fornecedores dos fornecedores", mesma proposta do Plano Marfrig Verde+.

A ideia é que esses vendedores indiretos também sigam as políticas de compra das empresas, que s√£o:

N√£o desmatar a fazenda após 2009, seja o desmatamento legal ou ilegal;

Apresentar a documentação de posse da propriedade;

Fazer o Cadastro Ambiental Rural (CAR), que é onde produtores colocam a localiza√ß√£o e dados de sua propriedade para que o governo possa ver se ele est√° seguindo a legisla√ß√£o ambiental;

Propriedade n√£o pode estar em √°rea de terra indígena, terra pública ou unidade de conserva√ß√£o;

N√£o pode estar embargada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov√°veis (Ibama);

N√£o pode estar na lista suja do trabalho escravo da Secret√°ria do Trabalho, antigo Ministério do Trabalho.

A JBS promete que, até o fim de 2025, só ir√° comprar de pecuaristas que aderiram ao programa. A Marfrig afirma que o prazo dela é até 2030.

Como vai ser o monitoramento?

Para viabilizar esses projetos, JBS e Marfrig dizem que v√£o desenvolver uma plataforma baseada em blockchain para cruzar dados das Guias de Tr√Ęnsito Animal (GTA) de todos seus fornecedores.

Porém, como este documento é sigiloso, as companhias v√£o precisar da autoriza√ß√£o de todos os pecuaristas que vendem para ela.

"Acreditamos que vamos conseguir convencer o pecuarista a autorizar o compartilhamento dessas informa√ß√Ķes. Nossa ideia é criar um "cadastro positivo" da pecu√°ria brasileira", disse M√°rcio Nappo, diretor de sustentabilidade da JBS, durante coletiva de imprensa.

Pecuarista da Amazônia conta história na atividade

A JBS, que afirma monitorar diariamente mais de 50 mil fornecedores pelo país, em uma √°rea maior do que a Alemanha, prometeu disponibilizar seu sistema de checagem de propriedades rurais para outros interessados.

Além disso, afirma que vai oferecer assistência técnica para que os pecuaristas irregulares possam regularizar sua situa√ß√£o.

Fundo da JBS para projetos de preservação

Além da amplia√ß√£o do monitoramento de pecuaristas, a empresa também anunciou a cria√ß√£o de um fundo para incentivar iniciativas de preserva√ß√£o na Amazônia.

Este fundo ter√° um aporte inicial de R$ 250 milh√Ķes, feito pela própria JBS. O projeto vai contar com a doa√ß√£o de outros interessados, como empresas, funda√ß√Ķes e fundos de investimento. O objetivo é arrecadar R$ 1 bilh√£o até 2030.

A companhia se comprometeu que, a cada R$ 1 doado, doar√° também R$ 1 até R$ 250 milh√Ķes. Se isso for alcan√ßado, as doa√ß√Ķes da companhia para o fundo chegar√£o a R$ 500 milh√Ķes.

Para gerir os recursos deste fundo, a empresa criou um conselho de administra√ß√£o, que ser√° composto por pesquisadores, representantes do varejo, do agronegócio e de ONGs de prote√ß√£o ao meio ambiente.

S√£o esses profissionais que v√£o escolher quais projetos receber√£o apoio financeiro do fundo, que passar√° sempre por auditoria externa.

Marfrig também promete fundo

Em julho, a Marfrig também prometeu que ter√° a cadeia de produ√ß√£o livre de desmatamento, porém o prazo ser√° maior: até 2030. Além de afirmar que vai oferecer assistência técnica para que os pecuaristas se enquadrem na política de compras da empresa.

"Até 2025, a meta é atingir a total rastreabilidade da cadeia de fornecimento da Marfrig na Amazônia. Nos próximos dez anos, a empresa deve fazer o mesmo com o Cerrado e os demais biomas, chegando assim ao desmatamento zero até 2030", disse a empresa à época.

O grupo prometeu o investimento de R$ 500 milh√Ķes em a√ß√Ķes de sustentabilidade até 2030.

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Fonte: G1

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