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Do campo à mesa: trabalhadores mudam rotina na pandemia para garantir alimentos

Por Redação em 19/05/2020 às 06:48:36


G1 conversou com profissionais que mantém expediente enquanto parte da família precisa ficar em casa. Na indústria de frango, empresa e granjas do DF incorporam novas medidas. Trabalhadores do ramo alimentício no DF mudam rotina na pandemia

Morar na √°rea rural de Planaltina, no Distrito Federal, sempre foi para Tiago Oro, de 35 anos, uma forma de isolamento social. Chefiando uma granja de frango, pela 8¬™ gera√ß√£o da família, ele conta que a pandemia do novo coronavírus trouxe mais cuidado com trabalhadores que chegam das √°reas urbanas, mas a produ√ß√£o n√£o parou.

"Precisamos garantir a comida da popula√ß√£o , a sobrevivência e os empregos, em fun√ß√£o disso, nossa atividade é essencial."

A cada dois meses, a granja envia cerca de 720 toneladas de frango para uma indústria, no DF. Oro é uma das partes na produ√ß√£o local de 175 mil aves por mês, compradas pela empresa Seara.

Na f√°brica, a proteína é transformada em produtos distribuídos na capital e em outros estados do Brasil, além da exporta√ß√£o para 150 países.

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Granja da família de Tiago Oro, em Planaltina, no Distrito Federal

Arquivo pessoal

"Nós que trabalhamos nessa √°rea de agricultura j√° temos uma metodologia de preven√ß√£o e protocolos sanit√°rios. O que nós fizemos foi refor√ßar esses protocolos", explica Oro.

Segundo o produtor, a quantidade da oferta n√£o foi alterada até o momento. Entre os novos cuidados, foi introduzido o uso obrigatório da m√°scara de prote√ß√£o e o rigor da higieniza√ß√£o das m√£os.

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Na granja, s√£o oito funcion√°rios, além das equipes técnicas e entregadores de ra√ß√£o que passam pela propriedade a cada dois dias. A casa da família fica no mesmo lote de produ√ß√£o e os cuidados de preven√ß√£o no ambiente de trabalho também valem para proteger a família.

A m√£e de Oro, com 60 anos, n√£o tem comorbidades. J√° o pai, de 62 anos, tem hipertens√£o e diabetes. Na casa, além dos pais, moram a esposa e as duas filhas, de 5 e 2 anos.

"Nosso deslocamento é praticamente para fazer compras ou manuten√ß√Ķes. O restante, est√° vetado."

Do campo para a f√°brica

Setor de corte de frango em f√°brica do Distrito Federal

Carolina Cruz/G1

"Chegar em casa e lavar a m√°scara pra, no outro dia, estar aqui firme e forte". O relato é da rotina de Josilene Andrade, de 34 anos. Ela é um dos 1,5 mil profissionais que trabalham na indústria que recebe o frango das granjas – como a de Tiago Oro e transforma a proteína em produtos vendidos nos supermercados.

Josilene mora na regi√£o de Samambaia, perto de onde est√° localizada a f√°brica. Ela conta que desde o início da pandemia, muita coisa mudou na empresa.

"Na produ√ß√£o, t√° todo mundo com m√°scara e óculos. Também teve separa√ß√£o, com acrílico, e marcas no ch√£o pra manter o distanciamento em v√°rias partes da empresa."

Na portaria, Josilene só entra depois de passar por uma aferi√ß√£o de temperatura. Quem estiver com febre, vai direto para o ambulatório. Da catraca de entrada até a porta da f√°brica, marca√ß√Ķes pelo ch√£o fazem a referência do distanciamento de um metro que deve ser mantido entre os funcion√°rios.

F√°brica da Seara, no DF fez marca√ß√Ķes no piso para que funcion√°rios mantenham o distanciamento

Carolina Cruz/G1

"Como todo mundo tá correndo risco, eu fico feliz de ver a preocupação das pessoas, de estarem se protegendo, se ajudando."

Fora de casa

Na se√ß√£o de cortes de frango, a oper√°ria Nalzira Pereira da Silva conta que os cuidados tomados pelos colegas faz com que ela se sinta segura. "Estamos recebendo e cumprindo todas as orienta√ß√Ķes", afirma.

Cinco vezes por semana, Nalzira sai de casa, em Santo Antônio do Descoberto (GO), no Entorno do DF, para trabalhar na f√°brica, em Samambaia. No local, segundo a gerência, cerca de 70% dos funcion√°rios s√£o de Goi√°s.

"L√° em casa, eu sou a única que t√° trabalhando. A minha família t√° toda dentro de casa, ent√£o, tanto eles como eu, estamos seguros."

Questionada sobre o que espera dos próximos dias, Nalzira conta que "reza pra que tudo passe logo".

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Medidas definitivas

Torneiras para lavar m√£os em f√°brica de proteínas no DF passou a ter acionamento por pedal

Carolina Cruz/G1

O gerente da f√°brica Frank Faria, conta que a pandemia n√£o afetou a produ√ß√£o. Ao invés de demiss√Ķes, ele diz que houve abertura de novas vagas. Segundo Faria, a pandemia fez a empresa incorporar novos h√°bitos que ser√£o mantidos depois.

"Uma das medidas que vamos manter é o controle de entrada mais rígida no que diz respeito à saúde do colaborador e terceiros."

A f√°brica colocou tapetes com lo√ß√£o desinfectante na entrada dos setores onde os alimentos s√£o preparados. Também instalou divisórias de acrílico no refeitório – medidas que ser√£o mantidas, explica o gerente.

Mesas com divisórias de acrílico em refeitório de f√°brica de proteínas no DF

Carolina Cruz/G1

Além das vendas, a f√°brica doa alimentos. Em abril, mais de 20 toneladas foram doadas para institui√ß√Ķes sociais do Distrito Federal, de Goi√°s e do Maranh√£o, aponta Frank Faria.

"As pessoas est√£o recebendo doa√ß√Ķes de cestas b√°sicas, mas, muitas vezes, falta a proteína. Ent√£o, nós complementamos com essa contribui√ß√£o."

Recomenda√ß√Ķes do governo

De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu√°ria (Embrapa), o Brasil é o terceiro maior produtor mundial de frango. O país ocupa o primeiro lugar nas exporta√ß√Ķes da proteína.

Em nota técnica, a Embrapa diz que "a possibilidade da pessoa infectada contaminar as aves n√£o é considerada relevante, pois n√£o h√° evidências científicas". Entre as recomenda√ß√Ķes às empresas est√£o:

Distanciamento de um metro entre os trabalhadores

Limpeza com desinfetante de todas as superfícies frequentemente tocadas

Monitoramento da saúde de quem acessa os locais de produ√ß√£o

Leia mais notícias sobre a regi√£o no G1 DF.

Fonte: G1

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