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Ministério da Agricultura registra 5 agrotóxicos inéditos e mais 46 genéricos para uso dos agricultores

Por Redação em 23/07/2021 às 18:45:04

No total, governo autorizou uso de 310 produtos neste ano. Grandes culturas de soja e milho transformaram o Brasil no principal comprador de agrotóxicos do mundo

AFP

O Ministério da Agricultura liberou mais 51 agrotóxicos para uso dos agricultores nesta sexta-feira (23), segundo publica√ß√£o do Di√°rio Oficial. Cinco deles s√£o inéditos e 46 s√£o genéricos.

No total, o governo j√° autorizou o uso de 310 defensivos químicos neste ano: 90 princípios ativos usados na fabrica√ß√£o de pesticidas e 220 produtos prontos, que v√£o para uso direto do agricultor. Estes últimos s√£o chamados também de produtos formulados.

Dentre as autoriza√ß√Ķes desta sexta, 34 s√£o químicos e 17 s√£o biológicos, considerados de baixo impacto.

Por que a produ√ß√£o de alimentos depende tanto de agrotóxicos?

Biológicos

Dos cinco princípios ativos inéditos, três s√£o de origem biológica, que podem ser utilizados na agricultura org√Ęnica, e dois de origem química.

Os três produtos biológicos novos (Neoseiulus barkeri, Neochrysocharis formosa, Neoseiulus idaeus) podem ser utilizados em qualquer sistema de cultivo, segundo o Ministério da Agricultura

O Neoseiulus barkeri é o primeiro produto no Brasil registrado para controle do √°caro vermelho das palmeiras, uma das principais pragas dos coqueiros. Ele também pode ser recomendado para o controle do √°caro branco.

J√° o parasitoide Neochrysocharis formosa controla a larva minadora (Liriomyza sativae). E o Neoseiulus idaeus é recomendado para controle de √°caro rajado (Tetranynchus urticae).

Os três n√£o possuem classifica√ß√£o na Anvisa e, na classifica√ß√£o do Ibama, s√£o considerados "Pouco Perigosos ao Meio Ambiente".

Químicos

Em rela√ß√£o aos produtos químicos, um dos ingredientes ativos novos é o ciclaniliprole. Ele foi registrado para controle da lagarta de Helicoverpa armigera nas culturas de algod√£o, milho e soja.

O produto também serve para o controle da mariposa-do-café (Leucoptera coffeella) na cultura do café, e da broca-pequena-do-fruto (Neoleucinodes elegantali) e tra√ßa-do-tomateiro (Tuta absoluta) no tomateiro.

O outro é a isofetamida, fungicida para controle do mofo-branco (Sclerotinia sclerotiorum) nas culturas de soja, feij√£o, batata, tomate e alface. O produto também é indicado para controle de mofo-cinzento (Botrytis cinérea) em cebola e uva, e de sarna da macieira (Venturia inaequalis) na cultura da ma√ßa.

O Ibama considera os produtos acima como "muito perigosos ao meio ambiente". A Anvisa n√£o os classifica.

Registros em 2021

Até agora, s√£o 12 princípios ativos inéditos no ano: 5 pesticidas biológicos e 7 químicos.

Os outros 298 registros s√£o de genéricos, sendo:

160 ingredientes químicos de agrotóxicos que s√£o vendidos aos agricultores;

51 pesticidas biológicos vendidos aos agricultores;

87 princípios ativos para a indústria formular agrotóxicos.

Agrotóxicos inéditos em 2021

Veja a rela√ß√£o dos agrotóxicos inéditos liberados neste ano:

Ciclaniliprole (uso da indústria; químico): inseticida usado para fabricar produtos que combatem lagartas nas lavouras de algod√£o, café, milho, soja e tomate;

Oxatiapiprolim (uso da indústria; químico): fungicida usado para fabricar pesticidas usados em culturas como batata, alho, cebola, tomate, alface;

Kamuy (uso dos agricultores; químico): à base de Fenpyrazamina, misturado com um outro ingrediente antigo. O agrotóxico serve para controlar o mofo branco, uma doen√ßa fungicida que ataca diversas culturas agrícolas

Halauxifen-metil (uso da indústria; químico): herbicida indicado para plantas daninhas de difícil controle;

Adengo (uso dos agricultores; químico): permitem o controle de plantas daninhas, tanto de folha estreita quanto de folha larga, na cultura do milho;

Rudder (uso dos agricultores, biológico): feito à base do Bacillus velezensis, que serve para controlar a fusariose, uma doen√ßa causada por um fungo chamado “Fasarium solani”. Esta doen√ßa provoca o apodrecimento das raízes das plantas e pode atingir diferentes culturas;

Bionema (uso dos agricultores, biológico): também é feito à base do Bacillus velezensis, com o mesmo intuito do Rudder;

Como funciona o registro

A permiss√£o para um novo agrotóxico no país passa por 3 órg√£os reguladores:

Anvisa, que avalia os riscos à saúde;

Ibama, que analisa os perigos ambientais;

Ministério da Agricultura, que analisa se ele é eficaz para matar pragas e doen√ßas no campo. É a pasta que formaliza o registro, desde que o produto tenha sido aprovado por todos os órg√£os.

Tipos de registros de agrotóxicos:

Produto técnico: princípio ativo novo; n√£o comercializado, vai na composi√ß√£o de produtos que ser√£o vendidos.

Produto técnico equivalente: "cópias" de princípios ativos inéditos, que podem ser feitas quando caem as patentes e v√£o ser usadas na formula√ß√£o de produtos comerciais. É comum as empresas registrarem um mesmo princípio ativo v√°rias vezes, para poder fabricar venenos específicos para planta√ß√Ķes diferentes, por exemplo;

Produto formulado: é o produto final, aquilo que chega para o agricultor;

Produto formulado equivalente: produto final "genérico".

Método de divulga√ß√£o

O governo alterou a forma de divulga√ß√£o do registro de agrotóxicos em 2019. Até ent√£o, o ministério anunciava a aprova√ß√£o dos pesticidas para a indústria e para os agricultores no mesmo ato dentro do "Di√°rio Oficial da Uni√£o".

A sistema passou a levar em conta a aprova√ß√£o dos dois tipos de agrotóxicos: os que v√£o para indústria e os que v√£o para os agricultores.

Segundo o Ministério da Agricultura, a publica√ß√£o separada de produtos formulados (para os agricultores) e técnicos (para as indústrias) tem como objetivo "dar mais transparência sobre a finalidade de cada produto".

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Fonte: G1

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